FC no cinema brasileiro

Evolução na produção de filmes de Ficção Científica no Brasil

“Uma câmera na mão e uma idéia na cabeça” ROCHA, G. (1960) 

Quando Glauber Rocha pronunciou a frase citada, ele tentava desacorrentar o cinema brasileiro dos formalismos e excessos técnicos dos filmes que nos chegavam do exterior, principalmente dos Estados Unidos. Ele queria dar ao cinema nacional, uma cara nova, uma cara de Brasil. 

Este esforço o caracterizou com um dos pioneiros do chamado cinema novo, que até hoje influencia e inspira os novos cineastas brasileiros e mesmo cineastas por todo o mundo. Na época em que Glauber Rocha criava o cinema novo no Brasil, a tecnologia cinematográfica permitia filmagens com investimentos inferiores àqueles feitos até 10 anos antes. Quando as câmeras pesavam entre 20 e 30Kg e os filmes eram feitos com pelo menos dois equipamentos grandes, um para filmar e outro para gravar o som. 

O cinema novo teve inicio quando a indústria cinematográfica começou a produzir equipamentos leves, permitindo serem carregados na mão, quando a tecnologia se sofisticou a ponto de permitir pegar um negativo de 16 e ampliar para 35mm além de permitir a revelação dos filmes com uma emulsão fotográfica que dispensava a luz artificial, entre outros avanços. 

O que se observa atualmente, década de 2000, é um movimento semelhante ao que ocorreu na década de 60, graças ao avanço da tecnologia digital e aos computadores,  hoje é possível a qualquer aspirante a cineasta, filmar sua obra em formato digital, editar o filme em um computador caseiro, home studio, criar sons, gravar vozes, criar efeitos especiais, mixar imagens e sons, finalizar e gravar o filme em formato de DVD para ser exibido em projetores digitais ou CD players. 

Esta realidade está promovendo o amadurecimento do setor audiovisual no Brasil e o crescimento da indústria cinematográfica brasileira. Esta democratização tecnológica promovida pelo avanço da tecnologia digital e dos computadores e softwares reduziu as dimensões e o peso dos equipamentos para filmagens e ainda aumentou a sua potência. Hoje temos câmeras filmadoras profissionais que pesam cerca de 2kg, temos micro câmeras e micro gravadores e diversos outros produtos que exigem uma nova postura dos produtores. 

Com o surgimento em 2006 do Festival de Curta Fantástico ” Cinefantasy ”, e em 2009, do Festival Internacional de Cinema Fantástico ” SP Terror ”, abriu-se espaço para exibições de longas e curtas de ficção científica, além do ” Animamundi ” que está em sua edição № 18. Estes festivais estão se atualizando, porém, até o momento, 2010, ainda falta um espaço específico para o gênero ficção científica como foco principal, além da formação de uma identidade nacional. Os novos diretores independentes, nos mostram, que é possível a realização de filmes de ficção científica no Brasil, com ou sem grandes investimentos. 

Aparentemente a produção de filmes de ficção científica deve ganhar força e reconhecimento no Brasil, com os novos produtores independentes em seus “home studios”, sendo possível graças ao avanço tecnológico dos computadores, câmeras e software`s, e a sua disponibilidade a um preço atualmente acessível à uma grande parte da população brasileira. Como exemplo, temos as produções HOLLYWOOD F/X, Céus de Fuligem, Analog, A Menina e o Gigante e a recente série de curtas de Ademir Di Paula, produzidos com estas características e com baixo orçamento, um movimento iniciado em 1999 por Allan Bispo e ganhando força com as produções de Márcio Napoli/2005, Ebbëto/2009 e Ademir Di Paula/2010. Também destaca-se o pioneirismo de Clóvis Vieira/1996 com o filme Cassiopeia, uma grande produção de animação do gênero ficção científica e orgulho nacional, por ser o primeiro longa metragem produzido no Brasil, sendo inteiramente digital.

Ademir Di Paula conseguiu um feito histórico para o cinema brasileiro de ficção científica, com sua recente série de filmes experimentais, produzidos em seu home studio e lançados na internet no início de 2010. Ademir Di Paula apresentou suas produções independentes e conquistou visibilidade e reconhecimento pelo mundo todo. Esperamos agora a continuidade e realização do seu primeiro longa metragem , A Menina e o Gigante, no qual já esta trabalhando na produção e na captação de recursos.

By Renato Sbardelotto

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